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Cerveja da Idade do Bronze na Irlanda
Dois arqueólogos irlandeses tentaram fazer cerveja da mesma forma que os seus ancestrais faziam, 3 mil anos atrás, em uma tentativa de descobrir o objetivo de antigos amontoados de pedra comunitários
Angelina Franz
Foi uma manhã áspera. De ressaca após uma noite em Galway, o arqueólogo Billy Quinn padecia de uma dor de cabeça enquanto tomava um substancial café-da-manhã irlandês, avaliando os mistérios do seu sítio arqueológico e pensando com um pouco de auto-interesse na antiga curiosidade da humanidade em relação às substâncias alteradoras da consciência.
Foi então que a idéia surgiu: o seu sítio arqueológico era uma cervejaria.
O local, perfeitamente comum, era um monte de terra liso e coberto de grama, conhecido em gaélico como fulacht fiadh. Esses sítios possuem tipicamente uma depressão rodeada por um crescente elevado em forma de ferradura feito de pedras queimadas.
Até o momento, os arqueólogos já descobriram 4.500 dessas estruturas na Irlanda, e a cada ano novas são identificadas. A datação com carbono radioativo sugere que a maioria dos fulacht fiadh foi construída entre 1.500 e 500 a.C.
Esses montes de pedras são há muito tempo um enigma. Alguns especialistas argumentavam que eles serviam para cozinhar carne: pedras quentes teriam sido utilizadas para ferver água e preservar a carne. Outros afirmavam que tratam-se de saunas pré-históricas. Ou curtumes, forjas ou tinturarias. O único ponto com o qual todos concordavam é que nesses locais se aquecia água.
Quinn e o seu colega Declan Moore convenceram-se de que o site tinha um propósito mais relacionado à mitigação da sede: eram cervejarias. "Também é possível que o sítio possa ter sido multi-funcional - uma espécie de pia de cozinha da Idade do Bronze.
Mas eles necessitavam de provas. A pesquisa era difícil, mas alguém teria que realizá-la: Quinn e Moore fizeram uma peregrinação até locais vinculados a antigas tradições ligadas à arte de fabricação de cerveja.
Eles trabalharam como aprendizes para cervejeiros amadores nas Ilhas Orkney. Na Bélgica e na Baviera aprenderam a fazer cerveja com pedras quentes. Em Barcelona participaram de uma conferência sobre fabricação de cerveja na pré-história, e identificaram as raízes da cultura da cerveja no Oriente Médio.
No início do verão passado, eles estavam prontos. Uma multidão reuniu-se no quintal de Quinn, em Cordarragh, na Irlanda. Os arqueólogos mataram um porco - fazer cerveja é algo que abre o apetite -, e fizeram uma fogueira para aquecer pedras. Perto dali eles cavaram uma vala e dentro dela colocaram um reservatório d'água, feito de madeira, de 350 litros. Duas horas depois, as pedras (e o porco) estavam muito quentes.
Os arqueólogos colocaram-nas com uma pá na água até que a temperatura desta chegou a 66°C. A seguir, eles adicionaram a cevada. Após 45 minutos mexendo o líquido e adicionando de vez em quando uma ou outra pedra quente, eles lançaram ervas doces na mistura.
"Para obtermos um sabor agradável, simplesmente olhamos em volta e pegamos tudo que parecia ser bom", diz Quinn, ao expor o seu método não muito científico. Os arbustos locais conhecidos como bayberry e meadowsweet foram alguns dos ingredientes utilizados na mistura. A seguir o líquido foi acondicionado em barris de plástico de 75 litros, adicionou-se um pouco de fermento e os pesquisadores da cerveja sentaram-se e aguardaram.
Três dias depois, os dois abriram os barris e descobriram uma "cerveja muito saborosa, espumejante e com cor de cobre", conta Quinn. A fim de testar a cerveja, Quinn e Moore organizaram uma festa. Quinn conta que os convidados consideraram a experiência um sucesso: "As pessoas beberam aos litros".
Atualmente, os arqueólogos se orgulham de serem chamado de "pico-cervejeiros", a designação para os cervejeiros que ficam no estágio intermediário entre a categoria dos que fabricam cerveja caseira e a dos que possuem micro-cervejarias.
Infelizmente, a sorte de iniciantes não se sustentou. Cada tentativa subseqüente resultou em uma bebida de pior qualidade. Quinn diz que a culpa não é dele, mas dos ingredientes encontrados no seu jardim, que desapareceram e perderam o sabor a medida que o verão terminava. "Na quarta tentativa a cerveja que obtivemos era apenas um caldo leitoso e insípido", conta Quinn.
Agora eles estão aguardando a primavera, quando o bayberry e o meadowsweet voltarão a florescer. Nesse ínterim, eles voltaram às suas atividades profissionais diárias. "Voltamos a desenterrar ossos", diz Quinn. "É algo bem maçante".